Campo Estrela...

O Ateneu Desportivo Eborense era composto por atletas de famílias com posses, e conseguiram convencer as irmãs D. Maria Inácia Fernandes Homem e D. Maria Luísa Mattos Fernandes, abastadas terratenentes, a alugar-lhes, por 15 anos, o ferragial da Estrela onde estabeleceram de forma permanente o primeiro campo de futebol em Évora. Nesta época o Lusitano tinha um excelente relacionamento com o Ateneu que lhe permitiu ir utilizando igualmente o Campo Estrela pagando uma verba ajustável ao número de jogos e treinos ali realizados.

Muitos atletas e seguidores do Ateneu Desportivo Eborense com o passar dos tempos começaram mudaram-se para o Lusitano, disparando o número de sócios e fragilizando o Ateneu, que mais tarde seria extinto tendo o seu Presidente na altura, Emídio Crujeira de Carvalho, entregue todo o património do clube ao Lusitano.

No início de 1931, sendo presidente José Varela Amaral, intensificaram-se as negociações para a compra do Campo Estrela. Foi Mário Ribeiro de Lemos, na altura exercendo as funções de presidente do Conselho Fiscal e que simultaneamente presidia à delegação distrital da Liga 28 de Maio , quem encarregou de convencer as proprietárias Maria Inácia Fernandes

Homem e Maria Luísa Freire de Mattos Fernandes, herdeiras de D. Inácia Barahona, a venderem o antigo ferragial pela quantia de 30 contos , um valor claramente claramente inferior à sua efetiva valia.

Acontece que a primeira era cunhada do capitão Duarte Silva e do tenente D. Domingos de Souza Coutinho, ambos grandes lusitanistas, pelo que o negócio acabou por se fechar sem dificuldadesA escritura foi celebrada no dia 3 de Fevereiro de 1931 tendo Mário Lemos entregue, de imediato, 20 contos do seu bolso, ficando os outros 10 de ser angariados junto dos restantes sócios. O estado de degradação em o que recinto de jogo se encontrava obrigou, como é óbvio, a que a este tivesse de ser submetido a amplas obras de melhoramento e conservação.

Évora foi a 5ª cidade do país e o Lusitano de Évora o 6º clube a possuirem um campo de relva natural.

As obras iniciais de preparação do terreno para a receção de relva iniciaram-se a 5 de agosto de 1955, duraram cerca de 4 meses, estando terminado todo o processo em inícios de novembro do mesmo ano. O arrelvamento do Campo Estrela foi executado durante a presidência de José Félix de Mira.

Na fotografia vemos Hortense da Conceição Mateus Borrego, uma das trabalhadoras do processo de arrelvamento em conversa com o Senhor Augusto, o encarregado da obra e Manuel João Cutileiro Ferreira, membro da direção do nosso clube. À entrada do túnel de acesso aos balneários, consegue-se vislumbrar o Secretário de Estado que visitou as obras nesse dia e Mário Silvano Campos de Melo, responsável pela semeadura e tratamento da relva.

A inauguração do relvado verificou-se a 13 de Novembro de 1955, num jogo a contar para a 9ª. jornada do Campeonato Nacional da 1ª. Divisão entre o Lusitano e o Sporting Clube de Portugal, que terminou empatado a um golo, o golo Lusitanista foi apontado por António Caraça aos 38 minutos, foi assim o primeiro atleta a marcar golo no novo campo relvado. O Sporting empatou aos 45 minutos por intermédio de Vasques.